18/05 - O pesquisador é um agregador
Escrito por: Administrador
18/5/2012 16:49:38

Lembrei-me ontem de um conceito emitido pelo professor Fernando Sarti, da Unicamp, que resgatei para embasar o presente artigo e transcrevo textualmente.

“as exportações brasileiras de soja, uma commodity, têm mais conteúdo tecnológico que as de telefones celulares, um produto manufaturado. Enquanto a produção de soja envolve um investimento grande em sementes, química fina e biotecnologia, a de celulares muitas vezes se limita a montagem de componentes importados.”

Este conceito vale não apenas para soja. No caso do milho, é ainda mais acentuada a presença da tecnologia na produção.

Recordei do conceito ao participar, em Campinas, de um evento onde a Dow AgroSciences lançou nova tecnologia para cultura do milho.

Sempre que convidado, compareço às atividades das empresas que contribuem para que possamos manter o Fórum Nacional do Milho em suas versões eletrônica e presencial.

Foi um excelente encontro. Nele tive a oportunidade de aprofundar conversas com pesquisadores que falam com orgulho do trabalho que fazem. Exercem uma atividade de profunda introspecção e com necessidade de grande conhecimento científico. No entanto, os resultados de seus trabalhos beneficiam a um grande conjunto de pessoas e concorrem para desenvolvimento econômico e bem estar social.

Lembro que, quando criança, em Erebango, minha família decidiu, para complementarmos renda, que eu deveria vender amendoins achocolatados que minha mãe fazia - com capricho e perícia – no cinema e no campo de futebol.

Como eram três sessões cinematográficas semanais e normalmente um jogo de futebol aos domingos, a demanda passou a ser intensa. Meu pai, então, começou a pensar como ele, que era carpinteiro, poderia fazer uma máquina para descascar amendoins. Desenvolveu o trabalho introspectivo de buscar a forma. Fez a máquina e ajudou, com isto, na agregação de valor à renda familiar.

Retomando a questão da pesquisa agrícola, é obvio que não haveria condições de alimentar a população mundial crescente, cada vez mais urbana e longeva, se não tivéssemos condições de aumento da produtividade dentro de um processo de sustentabilidade. Por isto, minha profunda admiração pelos pesquisadores e empresas de pesquisa públicas e privadas.

Assisto com estranheza às discussões a respeito de crescimento da pesquisa na área privada e enfraquecimento de instituições públicas do setor.

Há poucos dias estive em um evento da Embrapa onde assisti à celebração de uma sessão de convênios entre a extraordinária instituição federal, que hoje, inclusive, leva conhecimento e visão moderna para além das fronteiras do Brasil, com empresas e entidades da área privada dos setores de insumos, principalmente sementes, bem como de máquinas agrícolas.

Estabelecer uma disputa entre resultados da pesquisa oficial e a particular é um contrassenso. O importante é somar e isto a Embrapa e as empresas privadas estão fazendo.

A pesquisa não pode ter rótulo, mas destina-se à produção de resultados.

O pesquisador age, repito, com conhecimento científico e ação introspectiva para produzir efeitos extraordinários destinados à população mundial.

Benditas pesquisas – pública e privada – que na área do agronegócio concorrem para garantia alimentar do mundo.

Odacir Klein




Fonte:

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